Foi desde pequena que eu pude perceber que aqueles tais heróis das histórias em quadrinhos eram reais, e que eu tinha o meu.
Meu super humano, de olhos azuis, como o céu de um dia lindo, de semblante sério e admirável, com óculos de leitura, de jornal na mão, de raça no sangue, de perfume no corpo, de roupa bem passada, de cabelos brancos como a neve, de camisa gola pólo sempre com uma caneta no bolso, de olhar penetrante e sincero, e de muito, mas muito amor no coração, meu super avô.
São memoráveis, todas as vezes que aquele ser encantador abria a boca e expelia palavras mágicas, que entravam pelos ouvidos e iam direto para o coração. E assim eu cresci, repleta de admiração e orgulho do meu herói.
Uma escola gratuita, de tudo que a vida poderia nos oferecer de melhor e mais bonito. A generosidade encarnada, de portas abertas para qualquer um entrar e aprender sobre a bondade humana. Uma essência viciante, e impossível de se sentir demasiado. Uma inspiração divina, e uma vez tocada por ela, abençoados seríamos, e fomos, e somos.
A terra perdeu uma das melhores pessoas, e o céu ganhou a estrela mais brilhante.
O melhor filho, o melhor irmão, o melhor marido, o melhor pai, o melhor avô, o melhor companheiro, o melhor amigo, o melhor parente, o melhor homem.
Muito obrigado por tudo, mas principalmente por fazer parte de mim, pois tudo que eu sou é fruto de todos os nossos momentos compartilhados.
A falta já é presente, mas será preenchida pelas lembranças incríveis e maravilhosas, marcadas como tatuagem dentro de mim.
O nosso conforto é a paz finalmente encontrada.
E apesar de tanto amor, vai ser melhor assim.
Voa meu herói, voa meu avô, voa meu amor!
meu eterno herói