Um voo intenso, livre e incerto...
meu eterno herói

Foi desde pequena que eu pude perceber que aqueles tais heróis das histórias em quadrinhos eram reais, e que eu tinha o meu.

Meu super humano, de olhos azuis, como o céu de um dia lindo, de semblante sério e admirável, com óculos de leitura, de jornal na mão, de raça no sangue, de perfume no corpo, de roupa bem passada, de cabelos brancos como a neve, de camisa gola pólo sempre com uma caneta no bolso, de olhar penetrante e sincero, e de muito, mas muito amor no coração, meu super avô.

São memoráveis, todas as vezes que aquele ser encantador abria a boca e expelia palavras mágicas, que entravam pelos ouvidos e iam direto para o coração. E assim eu cresci, repleta de admiração e orgulho do meu herói.

Uma escola gratuita, de tudo que a vida poderia nos oferecer de melhor e mais bonito. A generosidade encarnada, de portas abertas para qualquer um entrar e aprender sobre a bondade humana. Uma essência viciante, e impossível de se sentir demasiado. Uma inspiração divina, e uma vez tocada por ela, abençoados seríamos, e fomos, e somos.

A terra perdeu uma das melhores pessoas, e o céu ganhou a estrela mais brilhante.

O melhor filho, o melhor irmão, o melhor marido, o melhor pai, o melhor avô, o melhor companheiro, o melhor amigo, o melhor parente, o melhor homem.

Muito obrigado por tudo, mas principalmente por fazer parte de mim, pois tudo que eu sou é fruto de todos os nossos momentos compartilhados.

A falta já é presente, mas será preenchida pelas lembranças incríveis e maravilhosas, marcadas como tatuagem dentro de mim.

O nosso conforto é a paz finalmente encontrada.

E apesar de tanto amor, vai ser melhor assim.

Voa meu herói, voa meu avô, voa meu amor!

de dentro para fora

a gente se perde para se encontrar.